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sábado, 14 de julho de 2012

“precog” está sendo usada para prever crimes nos EUA


Os Estados Unidos já deixaram seus tempos de vacas gordas. As unidades de polícia locais, por exemplo, andam em queda de orçamento. Até o diretor de uma delegacia importante, em Santa Cruz (Califórnia), estava se queixando de falta de homens e equipamentos. Na crise, o delegado contatou o criador de um software que previa quando ia haver terremotos no país. Como mesmo princípio, nascia em 2005 um software que virou uma mão na roda para os policiais da cidade: ele prevê a ocorrência de crimes.
PredPol, o nome da fera, passou a ser usado pela delegacia americana quando o crime na cidade aumentou 30% desde 2000, ao mesmo tempo em que os recursos diminuíram em 20%. E o departamento de Santa Cruz se mostra satisfeito com o resultado: através dele, é possível distribuir melhor os poucos “tiras” pela cidade, deixando-os próximos de potenciais locais perigosos.

Como um software pode fazer essas previsões?

Não há nenhuma bola de cristal acoplada ao PredPol; seu funcionamento é muito simples. Dispostos na cidade retratada via Google Maps, em “pontos quentes” – locais marcados com forte histórico de ocorrências policiais por ali -, descobriu-se que os assaltantes da metrópole têm certo nível de previsibilidade: o raio tende sim a cair duas vezes no mesmo lugar.
Além da ocorrência prévia – no caso da cidade de Santa Cruz, os crimes mais comuns são assalto a estabelecimentos e roubo de carros -, o PredPol baseia suas análises em indicadores como horário, clima e trânsito.
Nos primeiros tempos do software, cada policial escolhia uma área da cidade, marcada com seus respectivos quadrados vermelhos (“pontos quentes”), imprimia seu mapa em um papel e saía fazer rondas por aquela região.
Mas este sistema, desde novembro de 2010, está mais sofisticado: a delegacia instalou um gigantesco monitor com GPS no qual os policiais são orientados em tempo real para se dirigir às “zonas quentes”, aumentando as chances de estarem bem próximos das cenas dos crimes. Com isso, os assaltos na cidade diminuíram em 33% e os crimes violentos 31%, conforme reportagem da rede norte-americana CBS.

A crise bate fundo

Nem todas as delegacias americanas são afortunadas como esta de Santa Cruz. A instalação do software foi apresentada e oferecida a várias delegacias do país, que tiveram que declinar do convite por não ter verba o suficiente para arcar com os custos (que nem chegam a ser muito altos).
A condição em que vivem algumas delegacias americanas é surreal: as ocorrências criminais ainda são gravadas em fitas VHS, os Boletins do Ocorrência (BOs) são escritos à mão e copiados em papel carbono, e não raro, a polícia chega a tomar conhecimento de alguns crimes quando eles já saíram até nos noticiários.

Conheça o ShotSpotter, a versão mais avançada

Uma central computadorizada, dezenas de câmeras e centenas de pequenos microfones com sensores espalhados pela cidade. Toda essa aparelhagem pode ser instalada em qualquer cidade que deseje identificar, com precisão de um raio de 15 metros, onde uma arma de fogo é disparada na cidade toda vez que isso acontecer.
O princípio, mais uma vez, é simples: o microfone capta o som do disparo de um revólver e o sistema imediatamente acusa onde isso aconteceu. A prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, já conta com esse aparato.
O problema em que muitos departamentos de polícia esbarram, mais uma vez, é o preço salgado. O custo de 40 mil dólares – cerca de 80 mil reais, na conversão atual – para cada milha quadrada de cobertura (o equivalente a 2,59 km²) ainda é um empecilho.
Quando foi testado no Brasil pela primeira vez, em Canoas-RS, o ShotSpotter “efetuou” sua primeira prisão em menos de 24 horas. Os lobistas do sistema pretendem que ele seja instalado em todas as doze cidades-sede da Copa do Mundo 2014 até o início do evento. [CNN/Technology Review/Terra/PredPol/ShotSpotter Brasil]

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