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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mortes em UPPS estão caindo no Rio


Os números levantados pela pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Laboratório de Análise da Violência da Uerj mostram que os homicídios nas favelas com UPP tem caído. No período de seis meses após a pacificação, os casos de morte violenta a até 1km da UPP dos Macacos caiu 53% - eram 13 e foram registrados apenas 6. O número de roubos também caiu 27,2%. 
Mas, em compensação, os crimes menos violentos apresentaram aumento. Os furtos subiram 26,9%; as lesões corporais dolosas 14,4%; e as vítimas de violência doméstica cresceram 35%. O número de estupros também cresceu de 7 para 11 depois da chegada da UPP dos Macacos. 
Na Cidade de Deus, um levantamento das ocorrências no primeiro ano após a pacificação mostra resultados parecidos. O número de homicídios registrado a até 1km da UPP caiu, embora continue alto: eram 22 e passaram a ser 14 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Também caíram os registros dos casos de estupros: eram 13 e passaram a ser 8. Já os outros crimes também aumentaram.
O Instituto de Segurança Pública registrou no primeiro semestre deste ano o menor número de homicídios no Rio desde 1991, início da série histórica. Um resultado que certamente tem ligação com a implantação das UPPs, como mostra o levantamento. Ele, por sua vez, aponta para o crescimento de outros crimes como roubo, estupro e violência contra pessoa nas áreas com UPP.
Pequenos delitos aumentam sem o 'Dono do Morro'
A pesquisa analisou mensalmente os registros de crimes ocorridos em 13 favelas pacificadas (Andaraí, Batam, Borel, Chapéu-Mangueira/Babilônia, Cidade de Deus, Santa Marta, Formiga, Macacos, Pavão/Pavãozinho/Cantagalo, Providência, Salgueiro, Tabajaras e Turano) durante 66 meses. A média dos casos de homicídios nestas áreas teve grande redução, passando de quatro ou mais por mês para menos de dois. A redução maior, como esperado, acontece com mortes em intervenções policiais, que caíram de 0,5 por mês, para quase zero depois do estabelecimento da polícia nas comunidades.
A exemplo do que aconteceu nos Macacos e na Cidade de Deus, o fim do controle pelo tráfico resultou também em um aumento dos registros de crimes não letais contra a pessoa e contra a propriedade nas áreas de UPP. Em média, as vítimas de lesões dolosas triplicaram, o número de estupros mais que dobrou e os furtos subiram 64%. Já os casos de roubo tiveram queda de 46%.  Uma explicação possível é que após a entrada da polícia, a favela deixa de ter a presença intimidadora do chefe do tráfico agindo como mediador e juiz nos casos internos. Decidindo pela expulsão, tortura ou morte dos acusados.
Segundo moradores  e houve diminuição da violência armada, mas as reclamações evidenciavam o aumento de outros crimes: “Não havia roubos e assaltos aqui. Ultimamente têm acontecido mais roubos à residência”, contou uma moradora.
O estudo também faz uma análise da posição geográfica das UPPs, levantando uma questão curiosa. Apesar de historicamente serem as regiões mais violentas, as Zonas Norte e Oeste são justamente as duas áreas menos contempladas pelas UPPs. Na Zona Norte as unidades se concentram apenas no entorno do Maracanã, evidenciando a motivação em garantir a segurança dos locais de interesse turístico e que receberão os grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
Localização das UPPs formando um cinturão em torno do Maracanã e Zona Sul
Localização das UPPs formando um cinturão em torno do Maracanã e Zona Sul
Longe da Zona Sul o cenário não mudou
De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública em agosto, os bairros cujo policiamento fica a cargo do 7° BPM (São Gonçalo) - onde não existe UPP - registraram um aumento de quatro dos seis crimes classificados como mais violentos.  O registro de homicídio doloso aumentou para 24 casos (de 143 para 167) e tentativa de homicídio teve 10 casos a mais (de 119 para 129 casos). O mesmo aconteceu com os registros de lesão corporal dolosa, com crescimento de 14 casos (de 2153 para 2167). Nos crimes menos violentos, o panorama é o mesmo: o roubo a pedestres passou para 576 casos, assim como o roubo de veículos (aumento de 491 casos).
Região que vive há pelo menos cinco anos a guerra entre quadrilhas de três facções rivais, a AISP 9, que engloba bairros como Rocha Miranda, Madureira, Oswaldo Cruz e Cascadura, só conseguiu diminuir os casos de homicídios. Já os registros de tentativa de homicídio mais que dobraram. O número saltou de 65 casos no primeiro semestre de 2011 para 141 no mesmo período de 2012. Os crimes de lesão corporal dolosa, estupro e roubo aumentaram. O crescimento de registros foi de 32, 40 casos e 425 casos respectivamente.