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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A violência do crime

A violência da criminalidade volta a assustar os moradores da região metropolitana de Belo Horizonte.

Homicídios recentes, com requintes de perversidade e desprezo pela vida humana, e roubos, com ousadia e desfaçatez, reacenderam a preocupação e a inquietação. A sociedade e a dor dos familiares exigem esclarecimentos e soluções do governo.

Repudiando esse ignominioso retorno, o fato é que a sensação de insegurança apossou-se da maioria da população. Tecnicamente, observa-se que cada cidade, Estado e país tem um nível de insegurança criminal, composto pelo grau de insegurança criminal (aspecto objetivo, o controle dessa ameaça social, a estatística) e pelo clima de insegurança criminal (aspecto subjetivo, a crença no controle, a percepção). Essas variáveis, tratadas, definem se o nível é alto ou baixo, real ou irreal.

Em Belo Horizonte, o NICrim é irreal, porque o GICrim é baixo, e o CICrim é alto. Vale dizer, a quantidade estaria dentro de patamares inexoráveis (infelizmente, o crime é inerente à própria sociedade), mas o cidadão não crê, não se sente protegido, face à crueldade nos crimes cometidos. Some-se a isso a ilusão de isotopia, decorrente das notícias de tragédias em outras cidades, da audácia nos ataques a policiais em São Paulo, trazendo devastadora repercussão aqui, onde se vive.

Como reverter? Imediatamente, fortalecendo a polícia, para a prevenção pela presença e a repressão qualificada. Estratégias que baixaram os índices de criminalidade em Belo Horizonte foram a polícia distrital (polícia comunitária é uma redundância), que, através da interação comunitária, trabalhava os aspectos objetivo e subjetivo da proteção social, e a polícia de choque, que, atuando com energia sobre a criminalidade violenta, resgatava a autoridade estatal. Simultaneamente, a polícia judiciária, valorizada, fazia um ótimo trabalho.

Mediatamente, é importante que o Estado seja menos reativo e mais proativo, investindo na redução dos fatores geradores de insegurança social, que estão aumentando: população em situação de rua; menores, hoje, em situação de risco e, amanhã, infratores; "impunição" e impunidade; crimes federais (tráfico de armas e de drogas) com repercussão estadual; administração penal (sistema penitenciário) com baixo índice de ressocialização e alto índice de reincidência. Em paralelo, elaboração e operacionalização de efetivas políticas públicas de Estado para a defesa social.

Temos um corpo social doente, um qualificado antitérmico (a polícia), mas a infecção (meio-cidadania) não está sendo combatida. A incivilidade é a origem dessa violência que afeta nosso organismo social, exigindo o fortalecimento de instituições tímidas, pois passam por nefasto declínio na modernidade: família e escola.

Há complexas ações técnicas e políticas, que vão de mais policiamento a pé e mais qualidade no atendimento do 190 à salubrização do caráter de grande contingente nacional. Há ações simples, como tirar do CTI o Conselho Estadual de Defesa Social.

O governo está preocupado. É!... Deveria estar ocupado!

AMAURI MEIRELES
Coronel da reserva da PMMG - amauri.meireles@terra.com.br
fonte jornal o tempo