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domingo, 24 de março de 2013

1 morte a cada 3 minutos



As drogas ilícitas matam mais de 500 pessoas por dia em todo o mundo, uma a cada 3 minutos. Só no ano passado, cerca de 210 milhões de pessoas de 15 a 64 anos consumiram drogas. Os números são do Relatório Mundial sobre Drogas da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado no último dia 11, durante a abertura da 56ª Sessão da Comissão de Narcóticos, em Viena, na Áustria.

O encontro, que reuniu mais de mil representantes de países e da sociedade civil, discutiu questões ligadas à cooperação internacional sobre o combate às drogas e ligadas à saúde pública, como a ameaça de novas substâncias psicoativas.

Na opinião do médico Jorge Jaber Junior, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), embora os dados divulgados pela ONU sejam assustadores, a realidade mostra que os casos de mortes por uso de drogas são subnotificados e os números são maiores.

“No último censo da Cracolândia, no Rio de Janeiro, a nossa equipe fez um atendimento voluntário. Foram 100 pessoas acolhidas, e duas morreram em menos de 24 horas. Duas em cada 100. Em mil são o equivalente a 20. Num cálculo rápido, sem caráter científico, seriam cerca de 400 mortes em 24 horas só no Brasil”, alerta.

De acordo com o relatório da ONU, a planta cannabis (maconha) é a droga mais consumida do mundo, seguida pelas anfetaminas. Segundo o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Yury Fedotov, o consumo e a fabricação de cocaína caíram, mas houve um aumento no consumo e produção de drogas sintéticas e de novas substâncias psicoativas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reforça que o alto número de mortes é uma tragédia global. “O vício das drogas é uma doença, não um crime. Os toxicodependentes não devem ser tratados com discriminação, mas por peritos e médicos conselheiros.” Na opinião dele, o uso de drogas expõe ao risco de doenças mentais, crime e violência, além de doenças infecciosas como HIV e hepatite C.

O presidente da Abrad explica que, no Brasil, a política contra as drogas tem dois aspectos: o da repressão (porque a venda é um ato criminoso) e o preventivo. “É muito importante tratar uma pessoa viciada em crack em estágio inicial, por exemplo, porque o tratamento vai prevenir a ocorrência de outras doenças, como a Aids.”

Segundo Jaber, a Associação Norte-Americana de Psiquiatria defende a importância da religião no tratamento dos dependentes químicos. “E eles falam, com base científica, que a religião oferece um ambiente mais social e saudável, adequado para o tratamento.”