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domingo, 7 de abril de 2013

Consumo moderado de álcool também causa câncer e mata, diz estudo



As bebidas alcoólicas são responsáveis por pelo menos 3,5% de todas as mortes por câncer nos Estados Unidos, de acordo com pesquisa publicada em fevereiro no American Journal of Public Health. O estudo é mais um alerta para quem acredita que duas “cervejinhas” por dia são inofensivas à saúde. Quanto mais bebidas um indivíduo ingere, maior o risco de desenvolver um câncer, diz David E. Nelson, o autor do estudo.

“Não existe medida segura para o álcool. Pessoas que bebem mais de um copo por dia já têm possibilidade de desenvolver principalmente câncer de língua, boca, faringe e esôfago”, diz o cirurgião oncologista de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo, José Magrin.

O consumo diário de uma dose e meia de bebidas alcoólicas (20 gramas) provocou 30% das mortes por câncer relacionadas ao álcool, de acordo com os dados da pesquisa norte-americana. A quantidade vale para fermentados ou destilados, como cerveja, vinho, pinga, cachaça, vodca e uísque. O estudo aponta que o álcool encurtou 18 anos da vida dos pacientes com tumores e causou 15% das mortes por câncer de mama.

O perigo de desenvolver tumores de cabeça e pescoço é ainda maior se a ingestão de álcool estiver associada ao tabaco. Magrin alerta que o diagnóstico precoce da doença ainda é um desafio. “A maioria dos pacientes só procura atendimento quando o câncer está em estágio avançado, o que diminui as chances de cura para 30%.”

A redução do uso de bebidas alcoólicas e tabaco pode evitar ou retardar o aparecimento da doença, sugere Magrin. Entre os sintomas desse tipo de tumor estão feridas na boca que demoram a cicatrizar, dificuldade para engolir alimentos, rouquidão, caroço ou inchaço no pescoço e dores constantes de garganta e ouvido.

A relação entre álcool e câncer já foi demonstrada em vários estudos brasileiros. Em 2011, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) revelou que 11% dos 26 mil pacientes analisados consumiam bebidas alcoólicas em excesso. No mesmo ano, outro levantamento apontou que 65% dos 2.252 casos de câncer na boca, faringe, laringe e esôfago avaliados foram detectados entre pessoas que bebiam e fumavam simultaneamente.