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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Charge com Jesus e policial gera polêmica no Judiciário do RJ

charge jesusUma charge, que retrata um homem negro crucificado - em clara referência a Jesus Cristo - e um policial, está gerando polêmica no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro (RJ). A obra foi feita pelo cartunista Carlos Latuff e estava exposta no gabinete do juiz João Damasceno, quando por determinação de Órgão Especial do TJ, na quarta-feira (4), ela foi retirada da parede.

Além de ter encaminhado esse pedido à presidente do TJ (desembargadora Leila Mariano), o parlamentar ainda defende que os policiais militares do Rio entrem com ação indenizatória contra o artista e o magistrado.A decisão do Órgão Especial foi tomada a partir de solicitação do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ).
“No quadro vislumbra-se a imagem de um policial militar sendo autor de um disparo de arma de fogo em um homem preso a uma cruz, fazendo alusão à crucificação de Jesus Cristo. [...] A obra pretende fazer crer que todos os policiais militares são pessoas que vestem suas fardas para cometer os mais perversos crimes contra a humanidade, em referência, ainda que indireta, à morte de Jesus Cristo”, argumenta Bolsonaro, que considera que a gravura ofende a instituição policial e seus membros.O deputado estadual propõe ainda que o valor a ser pago por uma hipotética condenação dos réus seja de R$ 28 mil.
Já o magistrado Damasceno interpreta a cena da seguinte forma: “a obra do cartunista Carlos Latuff, retratando um homem negro pregado numa cruz e alvejado no peito pelo disparo do fuzil de um policial, colocada na sala de audiências da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Central, evoca a violência do Estado contra o povo ao longo da história”. Ele é favorável ao conceito de desmilitarização.
O juiz compara a repressão que se viu nos protestos de junho ao que se passa nas periferias. Nas comunidades periféricas, diz ele, “a munição disparada não é de borracha. A política de segurança pública militarizada tem como alvo os pobres e excluídos, ‘inimigos internos’ sujeitos ao extermínio. Instituída a pretexto de combate à criminalidade, a violência do Estado se destina ao controle social em benefício da classe que se aproveita da dominação”.
No entanto, João não se opôs à determinação do Órgão Especial do TJ e a charge foi acolhida pelo desembargador Siro Darlan. Damasceno classificou a situação como um ‘asilo artístico’.
Em sua página no Facebook, Latuff defende a livre exibição do desenho e relatou supostas ameaças que teriam sido feitas por policiais militares, também na rede social, contra Damasceno. “Juiz João Batista Damasceno já recebe ameaças de morte por pendurar quadro com minha charge sobre a violência policial em seu gabinete”, publica.
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