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sexta-feira, 21 de março de 2014

Carta de Ângela Maria da Fonseca

"Quando meus filhos nasceram eu jurei que os criaria com todo amor e carinho e que eles seriam pessoas do bem. Só queria que fossem felizes.
Jurei também, protegê-los contra todas as maldades do mundo.
Quando Matheus, meu filho mais velho alcançou aquela idade de sair sozinho, sem a minha companhia, comecei a ficar desesperada.
Mas, como não deixar um jovem saudável viver sua vida?
Rezava, orientava,rezava, tomamos precauções,rezava, rezava e rezava. Quanto mais noticias tinha sobre o aumento da violência e insegurança nas ruas, mais cuidado tomávamos e mais orações pedindo proteção eu fazia.

Falava: cuidado meu filho... fique alerta... Procure não andar sozinho... Cuidado com aquele lugar... aquela rua é escura...está faltando polícia na rua... Não vá de carro, vá de táxi... Mude seu trajeto... Não entre direto na garagem, dê a volta no quarteirão primeiro...
Não adiantou. Matheus foi morto no dia 07 de fevereiro.
Ele poderia ter feito várias coisas naquela sexta-feira: namorar, se divertir, ficar em casa...
Mas naquela noite ele decidiu visitar um amigo que tinha feito uma simples cirurgia de miopia.

Naquela noite, ele mais uma vez decidiu pela amizade e solidariedade. 
Saiu e não voltou. Nunca mais verei meu filho.
Meu mundo caiu. Vocês não sabem o que é para uma mãe enterrar seu filho. Vocês não sabem o que para uma mãe passar uma noite ao lado do caixão do seu filho se despedindo.

Assim como ele decidiu fazer o bem, nessa mesma noite alguns indivíduos saíram de suas casas para fazer o mal. Decidiram sair para roubar e matar. Saíram armados. Roubaram e mataram. Mataram meu filho Matheus de 21 anos. 

Sei que eles não pagarão pelo que fizeram. Serão julgados pela idade e não pelo crime que cometeram. O Estatuto da Criança e Adolescente premia-lhes com uma pena mínima. Tiraram a vida do meu filho que era do bem e não pagarão pelo que fizeram. Terão ficha limpa... até que façam novamente.

A impunidade é um convite para o crime. Bandidos não são vítimas da sociedade. Bandido é bandido. Todos nos podemos escolher entre o certo e o errado. Desde pequenos aprendemos que roubar e matar é errado. E foi isso que ensinei para o Matheus.

Meu Deus, que país é este? Os bandidos estão protegidos. E nós? Quem vai nos proteger? Minha sensação de impotência é enorme.
Que a justiça de Deus é certa eu não tenho dúvidas. Mas, e a justiça dos homens? Quem vai começar a olhar por nós, pessoas de bem? Até quando ficaremos acuados em nossas casas? Quantas mães terão que passar pelo meu sofrimento?

Eu ensinei ao meu filho a importância de um aperto de mão firme. Ensinei que o abraço deveria ser forte. Quando ele fez 16 anos, ensinei também a importância do voto.
Então, peço a vocês, senhores, que foram eleitos pelo voto, honrem seus eleitores. Nos protejam.
Eu tive um presente de Deus chamado Matheus .
Eu tenho um filho chamado Gabriel, de 13 anos que foi enviado por Deus.
Por favor, me ajudem a protege-lo.