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domingo, 16 de março de 2014

Traficantes do Complexo do Alemão usam o WhatsApp, um aplicativo de mensagens gratuito, como canal de comunicação.


A descoberta foi feita por agentes da 45ª DP (Alemão) durante operação para cumprir mandados de prisão da investigação sobre o ataque à delegacia, em 28 de janeiro. Um dos presos é Marcondes Gomes de Oliveira, que trabalha como segurança na estação Nova Brasília do teleférico do Alemão. Pouco antes de ser preso, Marcondes enviou, pelo aplicativo, a seguinte mensagem a um traficante: “Koé, fiel operação mano no morro todo”. O aparelho foi apreendido pelos policiais.

Celular apreendido pela polícia com segurança do teleféricoDe acordo com as investigações da distrital, Marcondes tinha uma vida dupla: nos momentos em que não estava trabalhando numa empresa terceirizada que presta serviço para a SuperVia, ele monitorava a movimentação dos policiais e enviava alertas aos traficantes da favela. Como seu posto de trabalho era em frente à 45ª DP, ele também era responsável por cumprir ordens dos traficantes para dificultar o trabalho dos policiais.





Pouco antes do ataque, quando a delegacia foi alvo de disparos de fuzil e coquetéis molotov, Marcondes retirou uma escada do último andar da estação do teleférico, que fica acima da delegacia. A escada era usada pelos agentes durante a noite para monitorar a movimentação de traficantes no vale da região da Nova Brasília.

Policiais realizam operação para cumprir mandados de prisão no Alemão.

Segundo os agentes, também foi Marcondes quem comunicou ao dono da lanchonete Doce Lar a ordem do tráfico para que ele deixasse a favela. Desde então, ele fechou as portas do estabelecimento e não aparece em casa, na Fazendinha. A operação terminou com o cumprimento de seis mandados de prisão e um de busca e apreensão. Entre os presos, estão Kleyton Afonso, gerente da localidade conhecida como Chuveirinho, onde o PM Rodrigo Paes leme foi morto na semana passada.
Confira, na íntegra, entrevista do delegado da 45ª DP, Felipe Curi.

Quem foram os presos da operação de hoje?
O objetivo da operação de hoje era cumprir mandados de prisão decorrentes do inquérito sobre o ataque à delegacia e às bases da UPP. Graças ao nosso setor de inteligência, descobrimos que todos os ataques foram coordenados e ordenados pelo traficante Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, que passou a chefiar o tráfico no Alemão depois da saída do Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. O 2D tem mandado de prisão pelo ataque e está foragido.

Entre os presos, há traficantes do alto escalão?
Sim, prendemos dois gerentes de dois pontos diferentes do complexo. O Felipinho e o Kleyton são elementos importantes na venda de drogas da Nova Brasília. Além disso, o César Silva Lira, que também foi preso, é um dos atiradores mais ativos da quadrilha e participou da morte de um policial civil dentro de um helicóptero durante operação no Morro do Adeus, em 2007. Ele estava preso e foi solto no ano passado. Todos os presos vão responder por associação para o tráfico.

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