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domingo, 18 de maio de 2014

Enterro de PM morto em Belo Horizonte reúne mais de mil pessoas; colegas protestam




O corpo do soldado da PM André Luiz Lucas Neves, de 27 anos, morto ao tentar impedir um assalto na Pampulha, foi enterrado sob clima de forte comoção no Cemitério da Saudade, na manhã deste domingo. Durante o sepultamento, a mãe do policial, Elizabeth Lucas Neves, agradeceu a presença das centenas de pessoas indignadas com o crime e exaltou a alegria de viver do filho. “Ele pode ser considerado um herói e serve de exemplo para os companheiros que continuam na luta”, afirmou. Além de familiares, também foram ao enterro policiais de diversos batalhões da PM, que seguiram em carreata, em direção à Praça da Liberdade, onde realizam um protesto pacífico pela morte do policial.

Por volta das 12h, os policiais ocupavam os dois sentidos da Avenida Bias Fortes, proximo ao Palácio da Liberdade. Com sirenes ligadas e buzinas, os militares chamavam a atenção para a falta de segurança e vulnerabilidade no trabalho. Os presentes fizeram ainda um abraço simbólico no quartel do comando geral da PM, também na Praça da Liberdade.



Greve e vaias

Apesar dos ânimos exaltados, o deputado Sargento Rodrigues (PDT) disse que, por enquanto, a possibilidade de greve está descartada. No entanto, a categoria volta a se reunir na próxima sexta-feira, dia em que será celebrada a missa de sétimo dia do soldado, para definir o rumo do movimento. O encontro está programado para as 17h, na Praça da Assembleia Legislativa, no Bairro Santo Agostinho. Ele afirmou que é tempo de protestar contra a 'frouxidão' do Código Penal e chamar a atenção da população para o lado humano do policial. "Os policiais têm famílias e não podem simplemente ser abatidos", disse.

Durante os discursos, o capitão Almeida, do 34º Batalhão, propôs que lideranças politicas falassem, mas o deputado estadual Cabo Júlio (PMDB) e o próprio sargento Rodrigues receberam fortes vaias. A Coronel Cláudia Romualdo, comandante do policiamento da capital, também foi vaiada durante o protesto com gritos de "Você não nos representa".

O PM assassinado, que era lotado no 49º Batalhão, na Região de Venda Nova, foi ferido na noite dessa sexta-feira depois de trocar tiros com criminosos que tentaram assaltar um casal na Avenida Fleming, uma das mais movimentadas do Bairro Ouro Preto. Ele levou um tiro na barriga e chegou a ser levado para o Hospital Odilon Behrens, mas não resistiu. O principal suspeito do crime já foi identificado, mas ainda não foi preso. Um dos assaltantes foi morto durante a troca de tiros e outro envolvido está preso.