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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Você acredita na regeneração de presidiários?

O universo é formado por forças opostas, por isso o mundo é equilibrado.
 O princípio da filosofia milenar chinesa baseia-se no Yin e no Yang, que, respectivamente, representam a escuridão e a claridade, ou seja, o positivo e o negativo. 
O campo magnético produzido pelos imãs acontece em razão dos polos contrários.
 No cotidiano, também encontramos essa dicotomia entre as pessoas. 
Tolos ou ingênuos os que acham que todos os seres humanos nascem codificados com amor. Infelizmente, a natureza, embora sábia, não é tão perfeita.
É óbvio que o meio pode gerar influências boas ou ruins, no entanto, temos, também, aqueles indivíduos cuja característica principal é a maldade, o caráter voltado para a violência e para atitudes de confronto para com a sociedade e que não agem dessa forma por fatores sociais ou em decorrência de desvios psicológicos e outras patologias; é condição intrínseca à sua personalidade.  
Um escritor europeu, disse, certa vez, que o mundo seria muito chato se todas as pessoas fossem boazinhas. 
Vamos analisar o universo carcerário brasileiro, que tem quase 500 mil detentos. 
Quando o debate é em torno do endurecimento das penas ou diminuição dos benefícios, na maioria, esdrúxulos, como o indulto, algumas pessoas são absolutamente contra, pois acreditam na ressocialização dos condenados. 
Exemplos das dificuldades quase insuperáveis para a recuperação social de presidiários, não faltam: 
“Criei quatro filhos com o mesmo amor e carinho. Três são trabalhadores, honestos e frequentam a igreja, mas um é ovelha negra de nossa família.
 Já foi preso diversas vezes e sempre volta a delinquir”.
 Como o Estado pode regenerar esse rapaz, se a própria família não conseguiu? 
O leitor concorda com a máxima que diz: “Nem todos os que estão em um hospital psiquiátrico são loucos e nem todos os loucos estão em um hospital psiquiátrico?” 
 Outro problema importante, é sobre como vamos nos proteger frente aos “psicopatas”. Alguns são criminosos contumazes, outros têm prazer em mentir, manipular e dissimular para atingir objetivos escusos no cotidiano. Será que podemos falar em regeneração com pessoas que possuem esse tipo de personalidade antissocial? Temos, ainda, os dependentes químicos de drogas pesadas, como o crack, sendo que muitos já nasceram com pré-disposição ao uso. 
A medicina pouco evoluiu no tratamento, tanto é verdade, que poucos fumantes de cigarros conseguem deixar o vício. Imagine, então, a dificuldade para se recuperar dependentes de drogas ilícitas potentes, que, muitas vezes, se tornam viciados no primeiro uso. No Brasil, milhares de famílias estruturadas internam filhos e dão todo o apoio necessário, mas, infelizmente, um percentual mínimo consegue se abster das drogas; a maioria cessa o uso por algumas semanas ou meses e acaba voltando ao consumo desenfreado. Uma quantidade enorme de usuários de crack trafica com a finalidade de manter o vício. Será que é tarefa fácil recuperá-los para que voltem à sociedade sem colocar em risco a vida das pessoas? É óbvio que não. 
É importante ressaltar, que as diversas categorias de pessoas violentas que acabamos de apontar não tiveram origem na questão social, baixa qualidade de ensino público ou falta de oportunidades de empregos. Chega de hipocrisia e filosofia de folhetim. 
Já que admiramos tanto os países de primeiro mundo, como Alemanha e Japão, por que não copiamos o rígido sistema penal que adotam e que garante direitos aos cidadãos de bem e muitos deveres para os criminosos que estão atrás das grades?

 Dr. Jorge Lordello