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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Exército norte-americano está desenvolvendo trajes reais do "Homem de Ferro"


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O sucesso do Homem de Ferro despertou não só a curiosidade do grande público, que cada vez mais lota as salas de projeção dos cinemas para acompanhar o super-herói, como também do exército norte-americano. Segundo uma matéria do Wall Street Journal, os militares estão intrigados com a armadura criada por Tony Stark e parecem estar dispostos a desenvolver uma de verdade.
E já que Tony Stark não passa de um personagem fictício, os militares resolveram recorrer aos estúdios responsáveis pelos efeitos especiais dos filmes do super-herói. Segundo o jornal, o Legacy Effects, responsável por “montar” o traje nas telonas, já foi contratado e está usando impressoras 3D para criar designs conceituais.
Além do estúdio que já recebeu um Oscar, o exército também teria contratado uma companhia canadense para estudar e apontar como é possível lutar enquanto se carrega uma grande quantidade de peso. A Ekso Bionics, especialista na fabricação de exoesqueletos que devolvem aos paraplégicos a capacidade de andar, também já teria sido contactada.
De acordo com Brian Dowling, um dos responsáveis pelo chamado Project TALOS (Tactical Assault Light Operator Suit, ou Traje Leve para Assalto Tático, numa tradução pura e simples), a investida já rendeu vários protótipos. “Nós já temos projetos que vão de uma variedade de exoesqueletos, até coletes de micro-aclimatação”, disse Dowling. “Com essa tecnologia vocês verão uma diferença drástica nos soldados como os conhecemos hoje”, completou.
Muito embora o desejo do exército dos Estados Unidos de ter um traje semelhante ao do Homem de Ferro tenha vindo à tona somente agora, o jornal afirma que há pelo menos dois anos a corporação trabalha nele. Ao que tudo indica, a motivação para desenvolver o projeto surgiu depois de um soldado ter sido atingido e morto por uma bala na operação que matou Osama bin Laden em 2011. “Foi uma daquelas situações em que nós paramos e nos perguntamos: ‘como protegeremos nossos soldados no futuro?’”, revelou James Geurts, oficial do Pentágono que supervisiona os programas de aquisição do governo.
Uma das principais funções do exoesqueleto seria proteger os soldados dos danos causados pelo combate armado. Além disso, traje também traria um sistema de refrigeração para auxiliar na manutenção da temperatura corporal e um capacete com visores e sensores semelhantes aos do Google Glass (Imagem: Reprodução/The Wall Street Journal)
Uma das principais funções do exoesqueleto seria proteger os soldados dos danos causados pelo combate armado. Além disso, traje também traria um sistema de refrigeração para auxiliar na manutenção da temperatura corporal e um capacete com visores e sensores semelhantes aos do Google Glass (Imagem: Reprodução/The Wall Street Journal)
A partir de então os oficiais perceberam que uma armadura de combate semelhante à utilizada por Stark seria a ideal. Foi aí que deu-se início à produção de uma série de protótipos que acabaram se mostrando extremamente falhos e frustrantes.
A principal dificuldade encontrada pelos oficiais foi em relação à bateria para manter os protótipos funcionando. Segundo os pesquisadores do projeto, seriam necessários mais de 165 quilos de bateria somente para manter uma armadura em funcionamento. “Sem dúvidas o Homem de Ferro solucionou esse contratempo utilizando o Arc Reactor”, brinca Russ Angold, cofundador da Esko Bionics. “Se alguém conseguir fazer o mesmo, isso seria fantástico”.
Independente das dificuldades, o principal objetivo do TALOS é desenvolver “protótipos de trajes de combate operacionais” até o mês de julho de 2018. O principal obstáculo, no entanto, é o orçamento destinado ao projeto: míseros US$ 80 milhões, muito abaixo do orçado para os principais projetos do Pentágono.
Além disso, o alto escalão da indústria bélica do país se mostrou cético sobre o projeto. Para muitos deles, o Pentágono e o exército não chegarão a lugar algum se não destinarem pelo menos um bilhão de dólares à ideia. O Military News também se queixou do baixo orçamento destinado a um projeto aparentemente importante e lembrou dos US$ 500 milhões investidos em um sistema que permite aos oficiais rastrearem seus subordinados usando apenas um smartphone. O problema é que o sistema era extremamente falho e só foi corrigido em 2006, quase dez anos após seu lançamento.
Apesar de todos os olhares tortos, os oficiais responsáveis pelo TALOS garantiram que dessa vez os erros do passado não se repetirão e que eles conseguirão atingir o objetivo mesmo com a contenção de gastos. “É fato que isso não voará tão cedo”, disse Lindsay MacGowan, confundadora do estúdio Legacy Effects. “E ele também não será vermelho com dourado, mas certamente é algo que entrará para nossos livros de história”, destacou ela.