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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

98,1% dos agentes de segurança querem penas maiores para quem mata policiais

São Paulo – Em um universo de 21.101 policiais civis, militares, federais, rodoviários, bombeiros e peritos, 98,1% são favoráveis a pena de morte para quem mata agentes de segurança, e 43,3% concordam, total ou parcialmente, com a afirmação de que agentes que matam criminosos deveriam ser premiados pelas corporações. As informações constam da pesquisa Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública, elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), pelo Centro de Estudos de Pesquisas Jurídicas da Fundação Getúlio Vargas e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ). O levantamento, feito com agentes de todo o país cadastrados na rede de ensino à distância da Senasp, foi divulgado hoje (30), no 8º Encontro Nacional do FBSP, em São Paulo.
Na mesma pesquisa, 91,5% dos que responderam ao questionário também concordam que mortes devam ser evitadas pela polícia, independentemente de quem seja, mas 43,3% concordam que policiais que matam suspeitos devem ser inocentados pela justiça, apesar de 83,8% concordarem que essas mortes devam ser investigadas e julgadas. Quase 99% deles ainda concordam que o tratamento adequado dado a um policial ou agente de segurança em ocorrência com morte deve ser baseado em apoio jurídico e psicológico.
Para a cientista social Silvia Ramos, da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, e membro do FBSP, não há incoerência, apenas a cristalização do discurso do "direitos humanos para humanos direitos".
“Muitos deles estão nas universidades. Entendem essa gramática da cidadania. Eles realmente acreditam na defesa dos cidadãos, mas, para eles, criminosos não estão nessa categoria”, afirma.
Entre os participantes do levantamento, 3,3% dos agentes de segurança foram baleados durante o trabalho e 1,9% em folgas. Entretanto 27,9% garantem que foram vítimas de tortura em treinamentos ou fora dele. Pouco mais de 8,5% disseram ter sofrido ameaça de morte ou violência física por outro policial, contra 47,7% que dizem que o algoz era suspeito ou condenado.
Os policiais rodoviários federais representam 4,1% da amostra; os da polícia federal, 10,4%; os profissionais da perícia técnica e científica 2,3%; os bombeiros, 8,4%; os policiais civis 22%; e os militares 52, 9%.
Entre os participantes, 88% são homens, 47,3%, atuam em capitais, 48,2% são brancos, 62,7% são casados, 39,1% têm nível superior e 14,5% o nível médio. 27% recebem entre R$ 5.001 e R$ 10 mil e 26,2% recebem entre R$ 1.001 e R$ 2 mil.
A pesquisa também apontou a sensação de isolamento dos policiais em relação ao MP e à Justiça. “Nós, pesquisadores, a mídia, muitas vezes, vemos o Ministério Público passando a mão na cabeça dos policiais, mas eles não. Eles se sentem injustiçados. Existe esse ressentimento muito grande”, aponta Silvia. 51% dos entrevistados responderam acreditar que a atuação do MP é insensível ou indiferente ao trabalho policial, “apenas cobrando, mas sem colaborar”. Em relação à Justiça, a mesma opinião é partilhada por 50%.
Ainda 88% dos policiais entendem que a população deveria participar da decisão sobre as prioridades do trabalho de policiamento em bairro e 52,56% avaliam que a comunidade deveria influir de forma decisiva no afastamento de um policial depois que várias pessoas o apontassem como violento ou desrespeitoso.
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