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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Dinheiro graúdo faz da eleição uma encenação


No Brasil, como se sabe, campanhas eleitorais movimentam dois tipos de dinheiro: o oficial e o paralelo. Diplomático, o dinheiro oficial adula todos os candidatos. Pragmático, o dinheiro paralelo é mais seletivo. Acerca-se mais de uns do que de outros. Na sucessão de 2014, só o pedaço da caixa registradora que passará por cima da mesa, com registro na Justiça Eleitoral, roçará a casa de R$ 1 bilhão.
O grosso desse dinheiro financiará o trabalho de marqueteiros e a produção dos programas eleitorais que irão ao ar, em rede nacional de rádio e tevê, a partir de agosto. Nesses programas, emprega-se uma técnica que consiste em enfeitar a forca, de modo a conferir-lhe a aparência de inofensivo instrumento de cordas. Se a campanha é rica e tem bons minutos de propaganda, a mistificação é maior.
O eleitor será submetido a uma realidade virtual em que músicas apoteóticas se misturam a imagens exuberantes. A essa altura já devem estar sendo gravados nas ruas os depoimentos de populares que, em hedionda unanimidade, atestarão as virtudes dos candidatos. Nos programas de oposicionistas, obras paralisadas. Nas peças governistas, canteiros funcionando em ritmo de truque cinematográfico.
No fim das contas, o eleitor corre o risco de eleger a melhor encenação, não o melhor candidato. Pior: passa por bobo sem perceber que o dinheiro que financia a produçãohollywoodiana sai do seu bolso. A ideia de que o financiamento da campanha é privado é apenas mais uma farsa que compõe o espetáculo.
A cifra de R$ 1 bilhão refere-se apenas às campanhas para presidente da República. Adicionando-se à conta os comitês de governadores, senadores e deputados, o valor é bem maior. Em 2010, foram às urnas pouco mais de 22 mil candidatos. Sem contar o dinheiro que correu por baixo da mesa, os gastos eleitorais foram contabilizados em R$ 3,23 bilhões. Leia aqui na íntegra o artigo.
Fonte: Blog do Magno Martins

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