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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Compartilhamento de Desgraças via Redes Sociais

ComportamentoRedes Sociais
Compartilhamento de Desgraças via Redes Sociais - AntonioBorba.comUm péssimo e irresponsável hábito tem se tornado cada vez mais comum: a divulgação, em correntes dentro das redes sociais, de desgraças, crueldades e ditas “injustiças”, principalmente contra animais de estimação, tais como gatos e cachorros, mas não se limitando a esses.
O que mais irrita nesse hábito bem brasileiro e tupiniquim de empurrar a coisa adiante é que, em 99% dos casos, a pessoa que divulga ou compartilha a informação não tem sequer certeza se é verdade ou boato, tampouco sabe a data do acontecimento, o que foi ou o que pode ser feito a respeito. É comum lermos frases tais como “não é possível que o homem seja capaz de fazer isso” ou ”alguém sabe dizer se isso é verdade?“.
Entre as desgraças, das quais não pretendo divulgar fotos, estão animais torturados, agredidos ou mortos, cenas de crueldade (como touradas) ou matanças (golfinhos, por exemplo), passando por supostasdenúncias de maus tratos, por vezes envolvendo estabelecimentos comerciais, o que torna ainda mais necessário cuidar com a divulgação para evitar cometer injúria ou difamação.

Por que as pessoas fazem isso?

Eu chamo esse comportamento de “desabafo social.
Boa parte das pessoas, uma vez em choque ante uma situação que conflita com seus valores, tende acompartilhar a desgraça numa expectativa de se sentir melhor, lavar as mãos e seguir sua vida, como quem diz: “eu fiz a minha parte, já divulguei para a minha rede“. Essa pessoa pensa: “alguém deve fazer uma coisa a respeito, tomara que chegue até alguém importante” – obviamente, não ela!
Não há nada mais desagradável do que, em pleno descanso, ter seu alto astral subitamente interrompidopor uma notícia chocante, ou mesmo perder a concentração no trabalho, deparando-se, no meio de suas atividades profissionais, com cenas e notícias despropositadas.
Oras, coisas ruins acontecem todos os dias. Se o objetivo é divulgar toda a crueldade do mundo, podemos fazer isso durante 24h. Não precisamos ficar escolhendo aquelas notícias que nos chocaram, vamos, de uma vez por todas, citar todas as desgraças e injustiças atuais da humanidade. Que tal? Eu aposto que vãofaltar espaço e tempo nas nossas vidas para ler tudo.
Assim como um pai não revela o mundo a seus filhos ainda pequenos, uma atitude sábia, madura e responsável de uma grande pessoa é preservar seus amigos e familiares de sentimentos negativos desnecessários. O sofrimento, a reflexão e a compreensão dos problemas devem fazer parte de cada ser humano.
Porém, ultimamente as pessoas parecem que não sabem sofrer sozinhasCompartilhar sentimentos superficiais via redes sociais é uma forma leviana de desabafo compatível com o século XXI.

Que atitude devemos tomar?

Partindo da constatação de que as redes sociais podem servir como meios de mobilização social, ficar indiferente aos problemas do mundo certamente não é o melhor caminho para resolvê-los. Porém, divulgar notícias da forma que tem sido feito, certamente também não é.
Os três principais procedimentos, antes de divulgar uma notícia, deveriam ser:
  1. Comprove a autenticidade: o fato de um amigo estar divulgando a notícia não significa nada, pois ele possivelmente também está passando adiante. E-mails e telefones não servem como parâmetro e frequentemente são utilizados para dar legitimidade a notícias falsas, já que ninguém se dá ao trabalho de verificar se são verdadeiras. A comprovação de autenticidade se dá quando você de fato checa a fonte e conhece sua origem. Pesquisar via Internet também pode ser válido. Existem sites especializados em desmistificar lendas urbanas.
  2. Verifique a data: algumas correntes nunca acabam. Os problemas podem ser antigos e já terem sido resolvidos há anos. Quando as correntes circulavam por e-mail, algumas, ainda que verdadeiras, nunca eram interrompidas e faziam menções a casos encerrados anos atrás. Portanto, antes de passar adiante uma notícia, é bom ter certeza de que ainda está em tempo para divulgá-la e tomar alguma providência. Uma fonte fixa de atualizações como um blog deveria acompanhar qualquer ação séria.
  3. Há algo a ser feito? Passar o fato adiante apenas para chocar os outros é uma leviandade. O mais importante é saber se existe algo a ser feito para melhorar a situação e isso deveria fazer parte da notícia.
Resumindo: leio notícias chocantes todos os dias. Mas não preciso compartilhá-las para me sentir melhor. Só passo adiante aquelas notícias as quais acredito que são úteis ou podem ajudar a fazer a diferença. Qualquer afirmação que não traga fonte sólida de referência é automaticamente descartada.

Faça você a diferença

Muito melhor do que ficar passando correntes adiante é fazer a diferença. O nosso mundo precisa de pessoas engajadas.
Se você quer fazer parte, uma boa opção pode ser reservar tempo para ajudar causas sociais ou entidadesque combatam aquilo que você considera mais importante em determinado momento da sua vida.
Investigar os problemas a fundo, criar um blog, levantar doações, entrar em contato, ajudar com dinheiro ou mesmo com sua participação. Melhor do que dinheiro é colocar a mão na massa e ajudar com seu trabalho.
Então, a próxima vez em que você se sentir realmente incomodado com algo, preste um favor a si mesmo e ao próximo: faça a diferença. De verdade.

* texto retirado do blog ANTONIO BORBA

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