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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Guia ajuda turista a explorar favelas cariocas

O Sebrae lançou um guia para incentivar o turismo em nove favelas do Rio, com apoio do Governo do Estado e da prefeitura, mas moradores das comunidades reclamam de problemas históricos como falta de saneamento e deficiências na iluminação pública, na coleta de lixo e na segurança.

"Quando colocaram a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no morro, em 2011, a expectativa era que o poder público viesse junto, mas isso não aconteceu", diz Eliza Rosa Brandão, de 54 anos, da associação de moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central. O entulho de casas pré-demolidas após a tragédia das chuvas de 2010, que deixou dezenas de mortos no Prazeres, ainda se acumula na favela. "Até a obra da sede da UPP parou por falta de verba", afirma Eliza. Lá, como em muitas outras favelas, os policiais trabalham em contêineres de ferro.
Uma das condições para a inclusão no Guia de Bolso das Comunidades do Rio foi a existência de UPPs. No entanto, algumas das favelas mais conhecidas da cidade, como a Rocinha, na zona sul, e o Complexo do Alemão, na zona norte, que também têm UPPs, não foram incluídos na publicação. No ano passado, houve um acirramento dos confrontos nessas comunidades.
Eliza disse não conhecer o guia, mas elogiou a publicação. Segundo ela, as principais atrações do morro foram iniciativas de moradores, como o Caminho do Grafite e o Jardim dos Prazeres. Outro lugar destacado no guia é o Bar do Tino, onde é servido o famoso Frango no Bafo. "Se depender do poder público, fica complicado. O esgoto continua escorrendo, a melhoria não veio."
Segundo a moradora, o número de garis é insuficiente para atender a comunidade. "São apenas seis, é um absurdo. Por isso criamos o grupo Proa (Promoção Realizada com Organização e Amor), para limpar e coletar material reciclável, entre outras ações. A gente não espera que façam por nós." No Morro Santa Marta, a primeira comunidade a receber uma UPP, em dezembro de 2008, a situação não é muito diferente. "As valas continuam abertas, não mudou muito não", diz Sônia Maria de Oliveira, da associação de moradores local. Ela gostou do guia. "Achei legal, porque serve como referência para as pessoas procurarem albergues e serviços na favela, como os guias de turismo."
A tiragem é de 5 mil exemplares, com distribuição gratuita em pontos turísticos e quiosques da Empresa de Turismo do Município (Riotur). Há indicações de trilhas e mirantes nas nove favelas, além restaurantes, albergues, lojas de artesanato, centros de umbanda e aulas de pipa, entre outras atrações. Cinco das comunidades listadas ficam na zona sul (Chapéu-Mangueira e Babilônia, no Leme, Santa Marta, em Botafogo, e Morro dos Cabritos/Tabajaras, entre os bairros de Copacabana, Lagoa e Botafogo) e três na zona norte (Turano, Salgueiro e Formiga, na Tijuca), além do Prazeres. Ontem, cerca de 100 policiais fizeram uma operação na Ladeira dos Tabajaras, onde uma das bases da UPP foi atacada em setembro. Dos 14 mandados de prisão expedidos pela Justiça, um foi cumprido no morro. "Neste guia, você ficará sabendo o que ver, onde comer e muito mais", escreveram os organizadores. "Queremos colocar a favela como fornecedora de serviços de qualidade, integrando esses territórios à cidade", disse uma representante do Sebrae/RJ em material divulgado pelo Governo do Estado.

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