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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Assédio na policia militar de Patrocinio militares femininas falam do caso

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promoveu uma audiência pública para averiguar denúncias de assédio sexual envolvendo policiais militares na cidade de Patrocínio, no Alto Paranaíba.

Segundo o autor do requerimento da reunião, deputado Cabo Júlio (PMDB), quatro policiais femininas foram assediadas por um tenente lotado no 46º Batalhão da Polícia Militar.

O comandante do 46º BPM, tenente-coronel Danny Eduardo Stochiero Soares, assumiu o comando da região neste ano, mas informou estar ciente do caso e aguarda a liberação da instituição para que possa participar da audiência.

Permitir que oficiais da PM pratiquem assédio sexual contra subordinadas fere o nosso ordenamento jurídico”.

Cabo Júlio, deputado estadual

As queixas foram registradas entre os anos de 2013 e 2014 e a única punição estendida ao suspeito foi a transferência para o batalhão de Patos de Minas, também no Alto Paranaíba.

O deputado defende que, nesses casos, a transferência deveria ser feita para outra região geográfica e que o tenente deveria responder criminalmente pelas acusações.

Em entrevista ao G1, o representante da Comissão de Direitos Humanos contou que quatro soldados do 46º BPM denunciaram o superior após receberem notas baixas na avaliação de desempenho. Os fatos aconteceram, coincidentemente, depois que as vítimas não cederam às cantadas do suspeito. “Elas sempre recebiam nota alta e de repente começaram a ser avaliadas com notas baixas porque não se submeteram às investidas dele. Foi uma forma de prejudicá-las e isso é um absurdo”, disse o deputado.

Ainda de acordo com Júlio, as policiais geralmente eram abordadas por conversas no Facebook. Em uma delas, o marido se fez passar pela profissional e confirmou o assédio sexual cometido pelo militar contra a esposa.

A partir do momento que o tenente foi transferido de comando, houve relatos de que as vítimas sofreram represálias de amigos do oficial, que continuam lotados no batalhão de Patrocínio. 

Durante a audiência, a Comissão irá requerer que outro órgão superior reavalie as notas das soldados, que cobre esclarecimentos sobre o assunto e irá pedir medidas mais drásticas por parte da instituição. “Permitir que oficiais da PM pratiquem assédio sexual contra subordinadas fere o nosso ordenamento jurídico e os ideais pregados pela instituição”, defendeu o político, que também é advogado e militar reformado.

Todos os envolvidos nas denúncias foram convocados a participar da audiência pública, que será às 9h, no auditório da Assembleia em Belo Horizonte. Também foram chamados os representantes do Comando, da Corregedoria da Polícia Militar, de associações de classe e do Ministério Público Estadual.

Sobre as denúncias de novos constrangimentos às policiais, o tenente-coronel Danny disse não ter conhecimento e, caso as vítimas informem ao comando, serão tomada todas as providências cabíveis.


PERFEM BBB
Marcela Fonseca 
de Oliveira (soldado PM do 46º Batalhão de Polícia – 10ª região de Polícia Militar – Patrocínio/MG), Jéssica Franciele
de Oliveira (soldado PM do 46º Batalhão de Polícia – 10ª região de Polícia Militar – Patrocínio/MG), Katya Flávia
Caixeta de Queiroz (soldado PM do 46º Batalhão de Polícia – 10ª região de Polícia Militar – Patrocínio/MG), Amanda
Valadares Xavier (soldado PM do 46º Batalhão de Polícia – 10ª região de Polícia Militar – Patrocínio/MG)

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