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domingo, 29 de março de 2015

Estresse e Qualidade de Vida no Trabalho dos Policiais Militares de Alagoas

Larissa Paes de Omena Soares (1), Amanda Leite Salomão (2), Flávia Kelly Silva Mendes dos Santos (3), Monique Emanuelle de Souza Santos (4)
Nos últimos anos, as questões relacionadas à satisfação com o trabalho, motivação e estresse tem recebido destaque no âmbito da segurança pública. Um estudo realizado em 2004 pela ISMA (International Stress Management Association) aponta os profissionais de segurança pública como o grupo mais afetado pelo estresse ocupacional. A pesquisa em questão, realizada em Alagoas, se propôs a identificar o nível de satisfação dos policiais militares referente a sete fatores relacionados ao trabalho (trabalho em si, harmonia e integração interpessoal, relacionamento com os superiores, pagamento, promoção, reconhecimento e condições e ambiente de trabalho); identificar a vulnerabilidade ao estresse e analisar quais fatores do ambiente de trabalho estão mais relacionados a esta vulnerabilidade. Para Identificar o nível de satisfação no trabalho foi aplicado um questionário, ao passo que a investigação quanto ao nível de vulnerabilidade e aos fatores relacionados ao estresse foi realizada através da aplicação da Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT). 
O universo da pesquisa corresponde a cinco unidades da Policia Militar de Alagoas, todas da Capital- Maceió, com a amostra de 35 oficiais e 416 praças, o que corresponde a 43,75% e 30,01% da população, respectivamente. Os dados foram analisados de forma quantitativa, buscando correlacionar a satisfação com o nível de vulnerabilidade ao estresse. A teoria de Locke sobre satisfação no trabalho foi eleita como referencial para orientação deste trabalho, haja vista a abrangência e coerencia teórica apresentada pelo autor, além de ser a mais utilizada em pesquisas recentes sobre o tema. Locke (1969,1976; apud Martinez e Paraguay, 2003) “considera a satisfação no trabalho como uma função da relação percebida entre o que um indivíduo quer de seu trabalho e o que ele percebe que está obtendo”. Nesta pesquisa, os resultados indicam que, no geral, tanto os oficiais quanto as praças se consideram desmotivados e apresentam alta vulnerabilidade ao estresse. Tais resultados estão relacionados aos seguintes fatores: ausência de perspectiva profissional (promoção,plano de cargos e carreira), salário defasado, o desrespeito aos direitos trabalhistas (carga horária, hora-extra, insalubridade, adicional noturno), falta de reconhecimento pelo trabalho realizado e precariedade das condições e ambiente de trabalho.
Referências bibliográficas:
Dejours, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5ª ed. Ampliada. São Paulo: Cortez-Óbore, 1992.Martinez, Mª Carmem & PARAGUAY, Ana Isabel B. B. Satisfação e saúde no trabalho – aspectos conceituais e metodológicos. In: Cadernos de Psicologia Social do Trabalho. São Paulo, 2003.
Rodrigues, Avelino Luis & Gasparini, Ana Cristina. Uma perspectiva psicossocial em psicossomática: via estresse e trabalho. In: Mello Filho J e colaboradores. Psicossomática hoje. Porto Alegre: ArtMed; 1992.

1. Psicóloga, especialista em saúde mental, Capitã da Policia Militar de Alagoas.
2. Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica, Tenente da Policia Militar de Alagoas.
3. Assistente Social, Especialização em Dependência Química (em andamento), Tenente da Polícia Militar de Alagoas
4. Assistente Social, Especialista em gestão e controle social em políticas públicas.

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