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terça-feira, 17 de março de 2015

O atendimento policial é demorado? Por quê?

A maior reclamação das pessoas em relação ao trabalho policial, geralmente, é no tocante a demora no atendimento. Liguei para o 190 e a viatura não chega. Fui à delegacia e demorei cerca de 2 horas para registrar boletim de ocorrência. É importante aprofundarmos sobre o tema, para que o leitor tire suas próprias conclusões. No primeiro semestre de 2011, somente na capital de São Paulo, a Polícia Militar recebeu 160 mil ligações através do fone 190 versando sobre desentendimentos entre familiares, vizinhos, trânsito, bares e baladas etc. Geralmente, o denunciante exagera o problema, pois deseja rapidamente a presença da viatura policial. Nos finais de semana, 80% das solicitações são provocadas por desinteligências, picuinhas, negócios mal solucionados e abandono de lar. O pano de fundo é a inveja, ciúmes, falta de educação e desamor! A necessidade de se deslocar policiais para atendimento desses tipos de ocorrências, impede, em determinados períodos, a necessária urgência no socorro de vitimas ou testemunhas, essas sim, necessitadas de apoio policial imediato, em razão de perigo iminente. Em média, a Polícia Militar recebe a cada 2 minutos um chamado para atender problema relacionado a discussões verbais. Parte deles deságuam em delegacias de polícia, pois as partes, com os ânimos acalorados, não entram em acordo, e a solução momentânea é a elaboração do Boletim de Ocorrência. O plantão policial fica entupido de gente. Bate boca, xingamentos e até empurra-empurra são vistos com frequência. A demora para efetuar uma simples ocorrência de desinteligência é grande, pois os envolvidos estão mais interessados em provocar o desafeto que fornecer dados ao escrivão. Não podemos esquecer das milhares de pessoas que procuram delegacias para registrar BOs de perda de documentos e aparelhos celulares, além da famigerada "preservação de direitos" e desaparecimento de filhos nos finais de semana, que, normalmente, foram para baladas e "esqueceram" de avisar que iam esticar a diversão na praia ou motel. A "verdadeira" vítima, a que teve o carro subtraído ou a casa assaltada, fica chateada com a demora no atendimento. E não é para menos! Os EUA sofriam com o mesmo problema; a polícia muitas vezes deixava de atender casos graves para dar suporte a desentendimentos banais. Ao identificarem o problema, passaram a cobrar taxa pecuniária daqueles que acionam o telefone de emergência 911 sem real necessidade. Com a medida, o volume de chamadas diminuiu consideravelmente e o atendimento às vítimas da criminalidade melhorou.

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