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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Os três porquinhos e o lobo bruto (nossos velhos conhecidos), de Millor Fernandes

Era uma vez Três Porquinhos e um Lobo Bruto(No sentido de inculto, não lapidado). 

Os Três Porquinhos eram pessoas de muito boa família, e ambos(Três é ambos?) tinham herdado dos pais, donos do Porcão, um talento deste tamanho. Pedro, o mais velho, pintava que era uma maravilha - um verdadeiro Beethoven. 
Joaquim, o do meio, era um espanto das contas de somar e multiplicar, até indo à feira fazer compras sozinho.

 E Ananás, o menor, esse botava os outros dois no bolso - e isso não é maneira de dizer. Ananás era um mágico admirável.

Mas o negócio é que - não é assim mesmo, sempre? - Pedro não queria pintar, gostava era de cozinhar, e todo dia estragava pelo menos um quilo de macarrão e duas dúzias de ovos tentando fazer uma bacalhoada.

Joaquim vivia perseguindo meretrizes e travestis, porque achava matemática chato, era doido por imoralidade aplicada.

E Ananás detestava as mágicas que fazia tão bem - queria era descobrir a epistemologia da realidade cotidiana.

Daí que um Lobo Bruto, que ia passando um dia, comeu os três e nem percebeu o talento que degustava, nem as incoerências que transitam pela alma cultivada.

MORAL: É INÚTIL ATIRAR PÉROLAS AOS LOBOS.

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