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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Segurança Pública - Estresse e medo atacam policiais


Estresse, medo e uma arma na mão. 


Em momentos de grande perigo, alguns PMs ficam sem ação e colocam vidas em risco. Núcleo de psicologia da PM atendeu 11 mil homens ano passado.

Os disparos pesados de fuzis, metralhadoras e pistolas não cessavam em direção aos policiais militares num dos becos do Complexo da Maré, em Bonsucesso. Eram pelo menos 20 bandidos contra os oito PMs, que tinham que resistir até a chegada de reforço. Um dos policiais avançou, enquanto outro deveria lhe dar cobertura, atirando. Mas algo aconteceu àquele segundo PM: ficou estático, arma em punho, sem esboçar qualquer reação. "Colou as placas", disse um oficial, para explicar o sintoma de elevado grau de estresse que paralisou o soldado naquele momento.

No jargão policial, "colar as placas" significa fraquejar, ter medo quando não se consegue reagir a um ataque ou recuar diante de uma operação de alto risco. "Os colegas zombam dele, já que um homem nesse estado coloca a vida da equipe inteira em perigo e compromete toda a ação", afirma um coronel, que já teve problemas desse tipo em sua tropa.

Criado em 2002, o Núcleo Central de Psicologia, que funciona na Diretoria Geral de Saúde, no quartel-general da corporação, no Centro, atendeu no ano passado 11 mil dos aproximadamente 40 mil servidores da PM, através de rede que atua em todas as unidades hospitalares e operacionais do estado. Todos tinham algum sintoma de estresse. À beira de um ataque de nervos, os policiais, que enfrentam bandidos bem armados e cada vez mais audaciosos, são vítimas constantes desse mal que desequilibra a técnica do militar, adquirida em anos de treinamento.

"Para exercer a profissão, o policial sempre carrega uma dose de estresse em sua bagagem emocional. Mas deve ser apenas o necessário, não uma sobrecarga que afete seu desempenho e faça com que o risco de sua atividade se torne um perigo constante para a sua vida e as de seus companheiros", analisa a tenente PM Lilian Avilez, psicóloga que coordena o núcleo.

Policial passa a maior parte do tempo sobressaltado

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, Vandelei Ribeiro, considera essencial um acompanhamento psicológico para os militares: "Eles desempenham função delicada. E a ousadia desses criminosos, nesses confrontos freqüentes, aumenta o estresse."

Sentindo o peso da tensão a cada plantão, um policial do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), que não quis se identificar temendo represálias, afirma que cumprir a carga horária das 18h até as 6h, nos eixos das linhas Vermelha e Amarela, na entrada do Complexo da Maré, é um dos fatores do desgaste psicológico da equipe. "A queda de produtividade não é só física. Chega uma hora em que diminuem os reflexos, embaça a visão e a energia desaparece. Qualquer coisa suspeita deixa a gente sobressaltado."


Fonte: O Dia(RJ)

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