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domingo, 23 de agosto de 2015

O segredo das algemas não são as chaves

"A fuga de dois detidos algemados de um carro celular levantou a polêmica sobre a eficácia das algemas. Conheça os modelos existentes e as fragilidades desta ferramenta usada no dia-a-dia das forças de segurança."

"Polícias confiam nas algemas e rejeitam vistoria
O diretor-geral dos Serviços Prisionais ordenou uma vistoria às algemas utilizadas pelos guardas. Por sua vez, várias polícias, que utilizam o mesmo material, dizem que nunca ocorreram problemas semelhantes, pelo que não prevêm qualquer inspeção.

Rui Sá Gomes admitiu aos deputados da Primeira Comissão Parlamentar, que as algemas colocadas a um dos detidos, que fugiu do interior de uma carrinha celular, pudessem ter uma "deficiência".

"Experimentei aquelas algemas e consegui abri-las com simplicidade, pelo que determinei uma vistoria a todas as algemas para saber se há mais naquelas condições", disse o diretor-geral dos Serviços Prisionais, que garantiu que os reclusos foram revistados quando entraram na carrinha, pelo que não consegue explicar a utilização do gás-pimenta que usaram para neutralizar os guardas.
Entretanto, o Ministro da Justiça pediu a abertura de um inquérito.

Presos ouvidos pela segunda vez


O incidente fez elevar a voz da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos sindicatos das forças policiais que renovou o alerta para a "qualidade deficiente" dos equipamentos distribuídos aos elementos policiais. "Se as algemas ou outros meios não funcionam, pode estar em causa a integridade física e a vida dos polícias e dos cidadãos", sublinhou Paulo Rodrigues, que destacou a fragilidade de alguns equipamentos: "Qualquer cidadão curioso percebe que é relativamente fácil abrir as algemas".

No entanto, quer a PSP, quer a GNR garantiram ao JN que nunca ocorreu qualquer incidente semelhante, pelo que não há necessidade de uma vistoria ao material utilizado pelas forças policias.

"Têm sido ministradas anualmente mais de 16 mil horas de formação, com uma componente maioritariamente técnica onde se inserem as técnicas para algemar. É pois nesse vector que a PSP tem apostado a sua ação sendo para nós este o primeiro elo de segurança das algemas", acentuou Paulo Flor, porta-voz da PSP.

Também, a GNR assegurou que a ação da força militar nunca "correu riscos" devido à utilização de algemas. Costa Lima, realçou que um dos procedimentos da GNR é nunca deixar sozinho quem está algemado. "O uso de algemas é sempre um ato momentâneo, quer com as algemas em metal, quer de plástico e nunca apresentaram problemas".

Apesar de não emitir nenhum comunicado oficial, fonte da Polícia Judiciária assegurou que também não tem registo de problemas no mesmo sentido.

Entretanto, João Martins Leitão, o advogado dos dois reclusos, de nacionalidade brasileira, que fugiram do interior de uma carrinha celular na tarde de terça-feira, quando iam ser ouvidos pelo Ministério Público no Departamento de Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), confirmou ao JN que estes já tinham estado naquelas instalações na última sexta-feira, numa outra diligência.

Os arguidos foram detidos em Outubro, no âmbito de uma investigação que levou à apreensão de 1700 quilos de cocaína, dissimulados em gesso, que chegaram a Portugal em contentores provenientes do Brasil. Na altura foram detidas cinco pessoas, entre os quais os dois presos agora em fuga."

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