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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

RJ:Menor flagrado na boca-de-fumo da Providência

Foto de Roberta Trindade.

Nesse flagrante feito na boca-de-fumo existente na localidade conhecida como Pedra Lisa, no Morro da Providência, aparece Eduardo Felipe Santos Victor, 17 anos. As fotos foram registradas na semana passada e, nesta terça-feira, dia 29 de setembro, moradoras do local registraram a morte do menor.
É lamentável que policiais sejam flagrados alterando uma cena de crime?
Sim, é.
Mas sabe de quem é a culpa?
De todos que incentivam a lógica do extermínio como política de segurança pública. Sejam autoridades, políticos, integrantes da sociedade ou da imprensa.
De todos que transformam criminosos em vítimas e não dão voz e nem espaço para as verdadeiras vítimas.
De janeiro a hoje, 27 policiais foram assassinados nos Estados Unidos - que possuem 50 estados (o recordista foi o Texas, com 10 casos). Enquanto isso, no Brasil, somente no Estado do Rio de Janeiro, foram 53 policiais mortos no mesmo período.
Por que o caso de um policial militar torturado, amarrado a um cavalo e arrastado por ruas de uma favela, somente por ter sua identidade descoberta - tão lamentável quanto a alteração de uma cena de crime - merece apenas algumas linhas em algum rodapé de página de alguns jornais ou alguns segundos de menção em alguns telejornais?
Por que na hora de escolher o lado certo, escolhe-se o errado?
E acaba-se incentivando a inversão de valores...
Acaba-se provocando a impressão de que o crime compensa e de que o criminoso tem mais direitos do que aqueles que cumprem as leis.
A culpa é de todos nós, porque o povo é o primeiro a gritar "bandido bom é bandido morto", "por que prendeu?", mas depois também é o primeiro a exigir "tem que expulsar, tem que prender" e a chamar o policial de "assassino".
No final das contas, quem perde é sempre o policial - seja a profissão, a carreira, a liberdade, seja tudo isso e mais os amigos, a família, o crescimento dos filhos.
Se ele faz o certo, procura-se uma brecha para que ele possa ser acusado de ter feito o errado.
E se ele faz o errado, denigre-se a imagem de todos os outros policiais e de toda a corporação e um desvio de conduta passa a ser usado como exemplo de como generalizar e pré-conceituar toda uma categoria.
Então, está mais do que na hora de colocar a mão na consciência.
Porque, a partir do momento em que bandidos não têm mais medo e nem respeito por policiais, o que dirá por nós, simples mortais...
É preciso escolher de que lado estamos e oferecer a esses policiais o mesmo espaço que damos aos marginais - aqueles que vivem à margem da lei. Ou melhor: mais espaço e mais destaque, porque quem representa o bem e garante a paz e segurança de todos nós (colocando em risco a própria vida) é que merece reconhecimento.
E, então, poderá ser compreensível e justo que casos de desvio de conduta mereçam uma "edição especial do RJ TV" e minutos do horário nobre da Globo, no Jornal Nacional.
Quando houver o mesmo espaço e quando for dada a mesma importância para os casos em que as vítimas são os policiais.
Com certeza esses PMs, que já estão identificados e presos, vão responder por seus atos e pagar por eles.
E aqueles bandidos que tiraram as vidas de 53 policiais - e atiraram contra outros 114?
Foram identificados e presos horas após o crime e punidos por eles?
Em tempo: por que moradores são tão corajosos para gravar desvios de conduta de policiais e se omitem na hora de filmar criminosos e seus tribunais do tráfico?

Policiais do Serviço de Inteligência (P-2) da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Providência gravaram imagens onde identificaram os envolvidos com o tráfico de drogas local que trabalham na boca-de-fumo da localidade conhecida como Pedra Lisa.

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