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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Texto: "Meu nome é Juliane, sou soldado da polícia militar"

Meu nome é Juliane, sou soldado da polícia militar. 
Eu sei porque eu estou aqui neste porta-malas escuro e frio, porque sou uma policial. Aguardo a cada segundo que meus parceiros me encontrem e avisem a minha família. 
Já se passaram cinco dias desde a minha morte, os tiros que me atingiram já não me causam dor. 
Sinto que estou em paz, mas minha mãe precisa saber de mim. Daqui tento imaginar o rosto da minha sobrinha que nasceu no sábado e eu não pude vê-la. 
Eu prometi ser uma tia e tanto para ela. 
Também prometi para a minha mãe que seria uma ótima filha e que daria muito orgulho para a família e com o pouco dinheiro que recebo na polícia militar eu iria ajudar a pagar a conta de luz e de água, e quem sabe fazer um churrasco com a família nos finais de semana.
 Aqui neste lugar apertado, também penso em como sonhei entrar na polícia.
 Eu jurei a bandeira para combater a violência, mas hoje sou uma vítima dela.
 Daqui de dentro não consigo mais ter sonhos...sinto uma angústia muito grande. Me pergunto: e os meus sonhos? E a minha família?
 A minha vontade de viver? Porque me mataram? Eu sou mais uma entre tantos parceiros que se foram nessa guerra sem fim. 
O que mais dói é saber que minha morte e minha família não terão o amparo que costumamos ver em alguns casos. 
Minha mãe não saberá o que é o direito humano. Minha sobrinha só vai ouvir falar de mim. Será que essas pessoas de terno e gravata que dizem cuidar do País conseguem me enxergar aqui dentro desse porta-malas? Só peço que cuidem de quem ficou. Minha vida acabou por aqui, mas torço que meus parceiros não tenham o mesmo destino infeliz. Eu sei quem fez isso comigo. 
Eles estão tranquilos, sabem que minha morte vai sair de graça perante a Lei fraca do nosso País, e mais do que isso, serão novamente considerados “vítimas da sociedade”. 
E eu sou o que então? Calma...ouço um barulho! Finalmente me encontraram! Minha mãe vai se despedir de mim, enquanto eu me despeço da farda.
"A VIDA DO POLICIAL IMPORTA SIM! NÃO VAMOS DESISTIR DA LUTA! HERÓIS, VOCÊS NÃO ESTÃO SOZINHOS!"
TEXTO ESCRITO PELA JORNALISTA:
LILLIANY NASCIMENTO 07/08/2018!

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